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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

ENVELHECER, SEM FICAR DOENTE! > Dr. Lair Ribeiro



> Assim como uma lâmpada que estava brilhando queima num instante, você
> deve brilhar até o fim. Quando se perde a autonomia pela vida a vida
> deixa de ter graça. Então, o segredo é acrescentar vida à sua vida. A
> ciência que mais se desenvolve é a nutrição. Ninguém é refém da sua
> hereditariedade. Pré-disposições podem não se desenvolver. Exemplo: se
> você ingere repolho, couve-flor, nabo, couve de bruxelas, brócolis,
> que contém substâncias que previnem o aparecimento do câncer de mama.
> Tudo depende do ambiente para que o gene se manifeste ou
> não.Hipócrates dizia: “Deixe o seu alimento ser o seu remédio e o seu
> remédio ser o seu alimento”.

> CARBOIDRATOS COM PROTEÍNAS FAZEM BEM?
> O que é melhor? Consumir pão com mortadela ou somente pão? O melhor é
> consumir carboidrato com proteína porque assim o alimento levará mais
> tempo para se dissolver e não haverá picos de insulina. Também é
> importante ter em mente que: Devemos tomar café como reis, almoçar
> como príncipes e jantar como mendigos. Depois das 18 horas o que você
> come fica com você a vida toda.... (o Dr. Lair Ribeiro brincou). Uma
> experiência relatou que dois grupos consumiram três mil calorias
> diárias. O grupo que consumiu mais calorias à noite engordou, enquanto
> que o grupo que consumiu a maior parte das calorias pela manhã
> emagreceu.
> Quando você dorme com a barriga cheia VOCÊ envelhece mais rapidamente.
> Isso acontece porque a glicose bloqueia o hormônio do crescimento, que
> é o mesmo hormônio que mantém a juventude. Então, você terá mais
> facilidade para engordar e mais rápido será seu envelhecimento.

> BANHA DE PORCO OU ÓLEO DE CANOLA?
> Antigamente as pessoas cozinhavam com banha de porco, que é muito mais
> saudável do que o óleo vegetal comprado no supermercado. Mil vezes a
> banha de porco usada por nossa avó do que o óleo de canola. Muitos
> adoecem devido ao consumo desse óleo. A pessoa que consome esse óleo
> pensando que ele é bom porque é mais caro, durante dez a quinze anos,
> pode apresentar lesão cardíaca.

> LUZ OU TOTAL ESCURIDÃO NA HORA DE DORMIR?
> Dormir no escuro faz muito bem. O ser humano foi feito para dormir no
> escuro absoluto. Se a pessoa dorme com alguma luzinha acessa, a
> melatonina, hormônio da juventude, que evita o câncer e é
> anti-oxidante e regula seu sono, fica bloqueada. Nenhuma luz deve
> estar acessa no quarto, nem mesmo a do DVD. Não se deve deixar nenhuma
> luz acessa, nem para ir ao banheiro. Quando a criança dorme no escuro,
> o seu sistema imunológico melhora. Dormindo no escuro, a tendência é
> emagrecer. Quando dormimos com a luz acessa, o cérebro interpreta como
> se o dia estivesse nascendo, provocando envelhecimento precoce e
> aumento de peso.
> Em 1890, nos Estados Unidos, APENAS três por cento da população era
> gorda. Hoje, 66% da população têm excesso de peso. Em 1890 todos
> dormiam no escuro. Antes os homens obedeciam os sinais da natureza.

> EXERCÍCIOS FÍSICOS
> A Organização Mundial da Saúde diz que as pessoas devem dar, no
> mínimo, dez mil passos por dia. Existe um aparelho que custa 35 reais
> “pedômetro”. Esse aparelho é colocado na cintura quando a pessoa
> acorda. No final do dia, pode-se ver quantos passos foram dados. Menos
> que dez mil passos indicam sedentarismo. O organismo precisa gastar
> energia, estimulando as células e os músculos.

> DIABÉTICOS
> Para dos diabéticos o melhor tratamento, o primeiro de todos, deve ser
> a atividade física. O diabético deve comer menos por refeição e fazer
> seis refeições por dia para não ter picos de açúcar.

> QUANTO VAMOS VIVER?
> Para saber quanto uma pessoa vai viver, segundo LAIR RIBEIRO, ela deve
> medir sua insulina em jejum verificando se está próximo de 90. A boa
> notícia é que não importa a idade em que uma pessoa começa a se
> tratar. Quem cura o corpo não é o médico mas o próprio corpo. E nunca
> é tarde. Um médico dos EUA, aos 67 anos de idade, fez 44 exames para
> fazer uma experiência com seu próprio corpo. Ele começou a se cuidar,
> de verdade, aos 67 anos e aos 80 refez todos os 44 exames que havia
> feito aos 67 anos. Ele estava mais jovem aos 80 anos.

> REFRIGERANTES = VENENO
> Refrigerantes equivalem à cerveja. Uma lata de cerveja provoca uma
> lesão de 92% no corpo. Uma lata de refrigerante provoca 90% de lesão
> no corpo. Refrigerantes devem ser abolidos da nossa vida para sempre.
> Os refrigerantes sem calorias são ainda mais venenosos.

> MULHERES
> As mulheres demoram mais para envelhecer se comparadas aos homens. Uma
> mulher com 60 anos preserva a força física, de quando tinha 20 anos,
> em 90 a 95%.Já os homens preservam apenas de 60 a 65% da força física
> que tinham nessa idade. As mulheres vivem de 8 a 9 anos mais do que os
> homens. As mulheres enxergam e ouvem mais que os homens. Dez por cento
> dos homens são dautônicos. Os homens não conseguem fazer várias coisas
> ao mesmo tempo. As mulheres têm mais conexões com partes do cérebro e
> maior capacidade de comunicação.

> OVO – SEGUNDO MELHOR ALIMENTO
> O alimento mais perfeito do mundo é o leite materno. O segundo
> alimento mais perfeito do mundo é o ovo. Tudo o que a vida precisa
> está no ovo. Há 13 anos o Dr. Lair Ribeiro come de cinco a seis ovos
> por dia. Toda a manhã, ele consome três ovos cozidos. Segundo ele,
> nunca houve uma pesquisa científica que provasse que o ovo aumenta o
> colesterol ruim. O que aumenta o colesterol ruim é a forma de
> preparação do ovo. A luteína (parte amarela do ovo) é excelente para
> manter a visão. Ele não usa óculos e tem 65 anos.

> AZEITE DE OLIVA
> O azeite de oliva é outro excelente aliado para que se tenha uma boa
> saúde. Ele tem que ter quatro importantes características:
> PRENSADO A FRIO
> EXTRA VIRGEM
> VIDRO ESCURO (o vidro claro expõe o azeite à luz, oxidando-o)
> E NUNCA VIR EM LATA (a lata libera metal pesado)
> Deve-se tomar entre duas a três colheres de azeite por dia para viver
> mais e melhor.

> VINHO
> Outro aliado importante, usado na dieta mediterrânea, é o vinho. O
> vinho contém RESVERATROL. O resveratrol é uma substância que estimula
> os genes da longevidade. Quando ativados, a pessoa vive mais tempo.

> CEBOLA
> A secretina, presente na cebola, também estimula esse gene.

> CHÁ VERDE
> Importantíssimo para ter uma vida mais longa e a saudável. Quem faz
> uso do chá verde dificilmente vai ter câncer.

> SOL
> Outra dica, o SOL. O sol é um grande aliado da vida saudável. Ele nos
> dá a vitamina D3 que previne a osteosporose. Nossos antepassados
> tomavam sol e tinham mais saúde. Devemos tomar sol todos os dias, não
> exageradamente, é claro. Quando não havia antibióticos as pessoas se
> curavam da tuberculose, da sífilis, da psoríase com sol.

> Dr.Lair termina a sua palestra afirmando:

> EVITE O MAL, FAÇA O BEM, VIVA SUA VIDA EXTRAORDINARIAMENTE.


> Se quiser, assista o vídeo completo:

http://www.youtube.com/watch_popup?v=YIsnqUpLpx4

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS Adotada e proclamada pela resolução 217 A (III) da Assembleia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948.



ARTIGO 1.º
Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.
ARTIGO 2.º
  • Todos os seres humanos podem invocar os direitos e as liberdades proclamados na presente Declaração, sem distinção alguma, nomeadamente de raça, de cor, de sexo, de língua, de religião, de opinião política ou outra, de origem nacional ou social, de fortuna, de nascimento ou de qualquer outra situação. Além disso, não será feita nenhuma distinção fundada no estatuto político, jurídico ou internacional do país ou do território da naturalidade da pessoa, seja esse país ou território independente, sob tutela, autônomo ou sujeito a alguma limitação de soberania.
ARTIGO 3.º
  • Todo o indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.
ARTIGO 4.º
  • Ninguém será mantido em escravatura ou em servidão; a escravatura e o trato dos escravos, sob todas as formas, são proibidos.
ARTIGO 5.º
  • Ninguém será submetido à tortura nem a penas ou tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes.
ARTIGO 6.º
  • Todos os indivíduos têm direito ao reconhecimento em todos os lugares da sua personalidade jurídica.
ARTIGO 7.º
  • Todos são iguais perante a lei e, sem distinção, têm direito a igual proteção da lei. Todos têm direito a proteção igual contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação.
ARTIGO 8.º
  • Toda a pessoa tem direito a recurso efetivo para as jurisdições nacionais competentes contra os atos que violem os direitos fundamentais reconhecidos pela Constituição ou pela lei.
ARTIGO 9.º
  • Ninguém pode ser arbitrariamente preso, detido ou exilado.
ARTIGO 10.º
  • Toda a pessoa tem direito, em plena igualdade, a que a sua causa seja equitativa e publicamente julgada por um tribunal independente e imparcial que decida dos seus direitos e obrigações ou das razões de qualquer acusação em matéria penal que contra ela seja deduzida.
ARTIGO 11.º
  • Toda a pessoa acusada de um ato delituoso presume-se inocente até que a sua culpabilidade fique legalmente provada no decurso de um processo público em que todas as garantias necessárias de defesa lhe sejam asseguradas.
  • Ninguém será condenado por ações ou omissões que, no momento da sua prática, não constituíam ato delituoso à face do direito interno ou internacional. Do mesmo modo, não será infligida pena mais grave do que a que era aplicável no momento em que o ato delituoso foi cometido.
ARTIGO 12.º
  • Ninguém sofrerá intromissões arbitrárias na sua vida privada, na sua família, no seu domicílio ou na sua correspondência, nem ataques à sua honra e reputação. Contra tais intromissões ou ataques toda a pessoa tem direito a proteção da lei.
ARTIGO 13.º
  • Toda a pessoa tem o direito de livremente circular e escolher a sua residência no interior de um Estado.
  • Toda a pessoa tem o direito de abandonar o país em que se encontra, incluindo o seu, e o direito de regressar ao seu país.
ARTIGO 14.º
  • Toda a pessoa sujeita a perseguição tem o direito de procurar e de beneficiar de asilo em outros países.
  • Este direito não pode, porém, ser invocado no caso de processo realmente existente por crime de direito comum ou por atividades contrárias aos fins e aos princípios das Nações Unidas.
ARTIGO 15.º
  • Todo o indivíduo tem direito a ter uma nacionalidade.
  • Ninguém pode ser arbitrariamente privado da sua nacionalidade nem do direito de mudar de nacionalidade.
ARTIGO 16.º
  • A partir da idade núbil, o homem e a mulher têm o direito de casar e de constituir família, sem restrição alguma de raça, nacionalidade ou religião. Durante o casamento e na altura da sua dissolução, ambos têm direitos iguais.
  • O casamento não pode ser celebrado sem o livre e pleno consentimento dos futuros esposos.
  • A família é o elemento natural e fundamental da sociedade e tem direito à proteção desta e do Estado.
ARTIGO 17.º
  • Toda a pessoa, individual ou coletivamente, tem direito à propriedade.
  • Ninguém pode ser arbitrariamente privado da sua propriedade.
ARTIGO 18.º
  • Toda a pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião; este direito implica a liberdade de mudar de religião ou de convicção, assim como a liberdade de manifestar a religião ou convicção, sozinho ou em comum, tanto em público como em privado, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pelos ritos.
ARTIGO 19.º
  • Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e ideias por qualquer meio de expressão.
ARTIGO 20.º
  • Toda a pessoa tem direito à liberdade de reunião e de associação pacíficas.
  • Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação.
ARTIGO 21.º
  • Toda a pessoa tem o direito de tomar parte na direção dos negócios públicos do seu país, quer diretamente, quer por intermédio de representantes livremente escolhidos.
  • Toda a pessoa tem direito de acesso, em condições de igualdade, às funções públicas do seu país.
  • A vontade do povo é o fundamento da autoridade dos poderes públicos; e deve exprimir-se através de eleições honestas a realizar periodicamente por sufrágio universal e igual, com voto secreto ou segundo processo equivalente que salvaguarde a liberdade de voto.
ARTIGO 22.º
  • Toda a pessoa, como membro da sociedade, tem direito à segurança social; e pode legitimamente exigir a satisfação dos direitos econômicos, sociais e culturais indispensáveis, graças ao esforço nacional e à cooperação internacional, de harmonia com a organização e os recursos de cada país.
ARTIGO 23.º
  • Toda a pessoa tem direito ao trabalho, à livre escolha do trabalho, a condições equitativas e satisfatórias de trabalho e à proteção contra o desemprego.
  • Todos têm direito, sem discriminação alguma, a salário igual por trabalho igual.
  • Quem trabalha tem direito a uma remuneração equitativa e satisfatória, que lhe permita e à sua família uma existência conforme com a dignidade humana, e completada, se possível, por todos os outros meios de proteção social.
  • Toda a pessoa tem o direito de fundar com outras pessoas sindicatos e de se filiar em sindicatos para a defesa dos seus interesses.
ARTIGO 24.º
  • Toda a pessoa tem direito ao repouso e aos lazeres e, especialmente, a uma limitação razoável da duração do trabalho e a férias periódicas pagas.
ARTIGO 25.º
  • Toda a pessoa tem direito a um nível de vida suficiente para lhe assegurar e à sua família a saúde e o bem-estar,
     principalmente quanto à alimentação, ao vestuário, ao alojamento, à assistência médica e ainda quanto aos serviços sociais necessários, e tem direito à segurança no desemprego, na doença, na invalidez, na viuvez, na velhice ou noutros casos de perda de meios de subsistência por circunstâncias independentes da sua vontade.
  • A maternidade e a infância têm direito a ajuda e a assistência especiais. Todas as crianças, nascidas dentro ou fora do matrimonio, gozam da mesma proteção social.
ARTIGO 26.º
  • Toda a pessoa tem direito à educação. A educação deve ser gratuita, pelo menos a correspondente ao ensino elementar fundamental. O ensino elementar é obrigatório. O ensino técnico e profissional deve ser generalizado;  acesso aos estudos superiores deve estar aberto a todos em plena igualdade, em função do seu mérito.
  • A educação deve visar à plena expansão da personalidade humana e ao reforço dos direitos do homem e das liberdades fundamentais e deve favorecer a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e todos os grupos raciais ou religiosos, bem como o desenvolvimento das atividades das Nações Unidas para a manutenção da paz.
  • Aos pais pertence a prioridade do direito de escolher o gênero de educação a dar aos filhos.
ARTIGO 27.º
  • Toda a pessoa tem o direito de tomar parte livremente na vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar no progresso científico e nos benefícios que deste resultam.
  • Todos têm direito à proteção dos interesses morais e materiais ligados a qualquer produção científica, literária ou artística da sua autoria.
ARTIGO 28.º
  • Toda a pessoa tem direito a que reine, no plano social e no plano internacional, uma ordem capaz de tornar plenamente efetivo os direitos e as liberdades enunciados na presente Declaração.
ARTIGO 29.º
  • O indivíduo tem deveres para com a comunidade, fora da qual não é possível o livre e pleno desenvolvimento da sua personalidade.
  • No exercício destes direitos e no gozo destas liberdades ninguém está sujeito senão às limitações estabelecidas pela lei com vista exclusivamente a promover o reconhecimento e o respeito dos direitos e liberdades dos outros e a fim de satisfazer as justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar numa sociedade democrática.
  • Em caso algum estes direitos e liberdades poderão ser exercidos contrariamente aos fins e aos princípios
    das Nações Unidas.
ARTIGO 30.º
  • Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada de maneira a envolver para qualquer Estado, agrupamento ou indivíduo o direito de se entregar a alguma atividade ou de praticar algum ato destinado a destruir  os direitos e liberdades aqui enunciados.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Som alto no carro dá até 4 anos de cadeia, avisa cidade em GO




Uma cidade em Goiás promete “tolerância zero” para quem colocar som alto no carro. E as autoridades avisam: há risco de até quatro anos de cadeia. Aparecida de Goiânia está com uma campanha para coibir a prática.
Desde sexta-feira, quando começou a operação, já foram apreendidos quinze veículos e  2 caixas de som. A legislação do município permite, no máximo, 45 decibéis após as 22h e 70 decibéis nos outros horários.
“A intenção na primeira fase da campanha é educar a população. Em caso de reincidência, os veículos serão apreendidos e a aparelhagem de som só será liberada com determinação judicial. Queremos também informar os cidadãos que a poluição sonora, além de um delito administrativo, é um delito penal, resultando em até mesmo cadeia”, afirma o Superintendente da Secretaria de Meio ambiente, Fábio Camargo, ao jornal O Popular.
Pela lei, dependendo do barulho e da reincidência, há multas que variam entre R$ 400 e R$ 5 mil. E o crime de poluição sonora, avisam, dá até quatro anos de cadeia.

A gente tira o sujeito da favela mas não tira a favela de alguns sujeitos.




As pessoas costumam tirar conclusões apressadas a respeito de algumas frases. Isso se dá por vários motivos, onde a análise mais apurada a respeito de um assunto é menos importante que dar a sua própria opinião.
Opinião que certamente não retratará a verdade expressa na frase e que demonstra quão pouco ela é importante para os “sabichões”.
Recomendo a leitura desse texto para quem resolva se indignar com meu título, antes de saber um pouco a respeito do assunto.
Favela, espaço e sujeito: uma relação conflituosa de Ana Beatriz Rodrigues Gonçalves e Denise Aparecida do Nascimento.
( http://www.textosemarketing.com/2013/01/favela-espaco-e-sujeito-uma-relacao.html )
Joãozinho Trinta já dizia que pobre gosta de luxo, não de lixo.
Largados á própria sorte, grupos de pessoas em todo o mundo agrupam-se em áreas próximas dos grandes centros urbanos que não dispõe de infraestrutura como água, luz, gás, esgoto, postos de saúde, policiamento e condução. Com algumas variações, esses grupos são denominados favelados.
Muitas desses grupos e dessas regiões se encontram às margens dos rios e essa teria sido inicialmente a origem da denominação de moradores marginais. Marginavam os rios e passaram a viver às margens da lei pela criação de regras próprias e pela inobservância das regras sociais impostas aos cidadãos.
Desnecessário descrever mais do que isso, para quem vive em qualquer cidade grande do nosso país.
Ao andar ontem pelo Guarujá, pude notar claramente que nós, os moradores das habitações regulares, somos as verdadeiras vítimas das administrações corruptas.
Os chamados favelados, os desocupados, os marginais e os “trabalhadores informais” circulam livremente pela cidade e nós precisamos nos resguardar dentro dos carros com os vidros fechados, circular só nas ruas policiadas, não podemos usar relógios nem máquinas fotográficas.
Nossas famílias, nossas filhas e mulheres têm que se submeter à falta de educação dos bêbados nas ruas e praias porque essa é a cultura ou a falta de cultura da favela e a que impera na cidade.
Nós, donos de estabelecimentos comerciais, temos que cobrar os mesmos preços cobrados pelos “ambulantes” que não pagam impostos e não respeitam as leis, sejam elas trabalhistas ou dos consumidores.
A prefeita e o vice-prefeito andam pelas ruas com guarda-costas.
Salve Jorge!
Isso é fantástico!

domingo, 20 de janeiro de 2013

Favela, espaço e sujeito: uma relação conflituosa Ana Beatriz Rodrigues Gonçalves * Denise Aparecida do Nascimento



**
RESUMO:
O presente trabalho tem como objetivo explicitar a relação conl ituosa que há 
entre sujeito/território, centro/periferia usando como referência textual o livro 
Quarto de despejo: diário de uma favelada (1963), de Carolina Maria de Jesus. Para 
pensarmos na favela enquanto “espaço socialmente vazio” conforme Zygmunt 
Bauman, faz-se necessário recorrer às rel exões explícitas em  Modernidade Líquida
(2001), assim como nos apoiaremos no pensamento do também sociólogo Jessé 
Souza sobre a invisibilidade social, além das considerações acerca de território, 
lugar e espaço do geógrafo  Rogério Haesbert. 
Palavras-chave:  Favela. Centro. Conl ito. Invisibilidade. Carolina Maria de 
Jesus.
Introdução
A arte literária chama atenção para áreas
de experiência que de outro modo passariam despercebidas. (Yi Fu Tuan)
O vazio do lugar está nos olhos de quem vê
 e nas pernas ou rodas de quem anda.
(Zigmund Bauman)
A ideia de pertencer a um lugar ou a um grupo é tão antiga e necessária para o sujeito quanto 
respirar. É na interação com o outro que o “eu” realiza sua existência. O princípio da alteridade só tem 
razão de existir em relação ao outro. Então o que fazer quando o “eu” ocupa um território inexistente 
aos olhos do outro? 
Nessa perspectiva traçamos algumas rel exões sobre a favela e a multiplicidade de signii cados 
que a circundam, assim como sua relação com os indivíduos igualmente multifacetados que as 
ocupam. Esses lugares produzem ou perpetuam “sujeitos deslocados” – citando Edward Said (2003, 
p. 209) – que estão sempre buscando um lugar com qual se identii car, i xar raízes.
O presente trabalho pretende rel etir a condição do morador de favelas e suas representações 
no intuito de explicitar a relação conl ituosa que há entre sujeito/território. Como o sujeito favelado 
se percebe diante da sociedade e como é percebido pelo meio. Além desse ponto focaremos a questão 
da visibilidade/invisibilidade de locais periféricos, pois percebemos nos discursos midiáticos uma 
naturalidade em relacionar miséria com violência. Para tanto tomamos como referência o livro 
Quarto de Despejo: diário de uma favelada (1963), da escritora Carolina Maria de Jesus, uma vez que 
concebemos a autora como representante do sujeito desacomodado que desai a cânones (literário e 
urbano) com sua escrita-denúncia, que “fere” a norma culta da língua portuguesa, além de descrever 
um espaço urbano que insiste em não ser reconhecido.
Inicialmente buscaremos a história da formação das favelas. Para tal empreendimento faremos 
um breve recuo histórico até Os Sertões de Euclides da Cunha, livro publicado originalmente em 
1902, e as consequências do confronto em Canudos em i nais do século XIX. De acordo com os 
apontamentos de Lícia do Prado Valladares (2005), a primeira aglomeração a ocupar um território de IPOTESI, JUIZ DE FORA, v.15, n.2, p. 51-62, jul./dez. 2011 52
maneira desorganizada surgiu no Rio de Janeiro e foi formada por soldados que lutaram em Canudos. 
Na sequência teceremos algumas considerações a respeito da invisibilidade social que envolve o sujeito 
negro contemporâneo, seguindo as rel exões do sociólogo Jessé Souza em seu livro A invisibilidade da 
desigualdade brasileira (2006).
Trabalharemos ainda os conceitos de território, lugar e espaço seguindo os esclarecimentos 
de Rogério Haesbaert em O mito da desterritorialização (2007) e Yi Fu Tuan em  Espaço e Lugar
(1983). Seguindo, pensaremos na favela enquanto “espaço vazio”, conforme Zygmunt Bauman 
em Modernidade Líquida (2001). Em seguida passaremos à análise do diário de Carolina, à luz dos 
conceitos supracitados, e i nalmente apresentaremos a conclusão do artigo aqui proposto.
A invisibilidade a partir de Canudos
A história nos conta e reconta o processo de inserção do sujeito negro e ex-escravo na sociedade 
brasileira recém-abolição. A partir do i m do regime escravocrata no século XIX, com a libertação 
dos escravos o contingente populacional cresceu de maneira exorbitante. O processo abolicionista 
favoreceu a emancipação da população negra cativa, mas não os livrou dos estigmas da escravidão 
com a mesma velocidade. Era difícil, inclusive, para muitos negros se desvencilharem dos grilhões que 
os prendiam. Com a nova situação social do país, o status quo do negro mudou para pior, de serviçais e 
cativos passaram “a vagabundos, ociosos e desorganizados social e moralmente…” (WISSENBACH, 
1989, p.52).
Vale ressaltar que a experiência da escravidão era, obviamente, vista e sentida de maneiras 
diferentes para os senhores e seus escravos; assim, o sentido de liberdade também carregava valores 
que diferiam entre esses segmentos. Se para os senhores liberdade era manter o “fôlego vivo”, para os 
ex-cativos, liberdade se concretizava “de imediato, na realização de desejos e na posse de objetos que 
lhes haviam sido proibidos quando eram escravos” (WISSENBACH, 1989, p.53). Era necessário um 
retorno às raízes, esse era o gosto da liberdade. Quando os negros fugiam, reuniam-se nos quilombos, 
um pedaço da África mãe, onde reviviam práticas comuns com seus iguais. Com o i m dos quilombos 
e com a abolição, todos se dispersaram. Logo perceberam que ser livre no meio daqueles que os 
escravizaram fazia a liberdade perder o sentido. 
Após a abolição os negros saíram a esmo e foram se juntando a outros grupos de homens livres, 
porém igualmente marginalizados, tais como os mestiços e os índios:
A territorialidade negra se manteve em bairros rurais originários de doações 
de parcelas de terras aos libertos, algumas delas anteriores à Abolição, em 
grupos de remanescentes de quilombos ou de simples ocupantes das terras e, 
principalmente, nos agrupamentos negros existentes nas cidades brasileiras 
(WISSENBACH, 1989, p.53).
O grupo formado por esses novos “cidadãos” mudou o peri l socioeconômico do país, uma vez 
que vários outros vinham de diferentes regiões e traziam consigo marcas particulares de seus lugares de 
origem, favorecendo a diversidade cultural que já se instalava no Brasil. Contudo, como vinham de uma 
experiência de cativeiro, esses negros não se i xavam em terra alguma. Trabalhavam em propriedades 
alheias, recebiam pelo serviço prestado e partiam rumo a novas terras e novos trabalhos. Desse modo, os 
negros acrescentaram em sua longa lista de adjetivos negativos mais um termo: nômades. O nomadismo 
se caracteriza pela não i xidez habitacional – o que soa como uma negação à vida de cativeiro que 
levavam anteriormente. Essa mobilidade pode ser compreendida conforme Wissenbach:IPOTESI, JUIZ DE FORA, v.15, n.2, p. 51-62, jul./dez. 2011 53
Mobilidade provocada, sem dúvida, por um sistema que relegava aos homens 
livres um viver à margem e um aproveitamento residual, a estrutura da sociedade 
escravocrata engendrou homens andarilhos, “sem vínculos, despojados, a 
nenhum lugar pertenceram e a toda parte se acomodaram” (1989, p.53).
Esse cenário móvel foi sofrendo algumas alterações à medida que foram eclodindo guerras 
localizadas dentro do Brasil e o exército ia recrutando andarilhos, desocupados e tropeiros, ou seja, os 
negros recém-livres. Esses, para escapar dos recrutamentos, passaram a se esconder ou se “acomodar” 
em territórios afastados dos centros urbanos. Foram recrutados primeiro para a Guerra do Paraguai
1
e depois para qualquer outro conl ito que surgia.
Julgamos necessário fazer, nesta altura do trabalho, um retrocesso na história e buscar em 
Canudos – no sertão do estado da Bahia – uma relação na gênese, na formação dos territórios da 
pobreza que ainda assolam a sociedade brasileira. Pensamos ser relevante apontar as dimensões 
históricas que favorecem a compreensão da pobreza e da marginalidade que também justii cam sua 
permanência (VALLADARES, 2005, p.). A Guerra de Canudos
2
 durou um ano e mobilizou mais 
de dez mil soldados oriundos de dezessete estados brasileiros e distribuídos em quatro expedições 
militares. Estima-se que morreram mais de vinte e cinco mil pessoas, culminando com a destruição 
total da cidade. 
O i m da Guerra de Canudos se deu em 1898 com a vitória do exército sobre os sertanejos. 
Os soldados que lutaram no confronto não receberam o salário que lhes era de direito, decidiram ir 
para o Rio de Janeiro (a capital do país) pressionar o Ministério da Guerra. Não conseguiram reaver o 
soldo atrasado e, sem condições i nanceiras, se instalaram no Morro da Providência – posteriormente 
rebatizado Morro da Favella
3
 – e por lá i caram esquecidos. Mais tarde outros tantos se juntaram a eles 
vindos de diferentes partes do Brasil e por motivos diversos foram se juntando, e em pouco tempo o 
lugar se consolidou como um território de ocupação ilegal, irregular, sem respeito às normas ou à lei 
conforme relatado por Valladares: “[…] em 1900 o Jornal do Brasil proclamava ser aquele um lugar 
‘infestado de vagabundos e criminosos que são o sobressalto das famílias’ ” (VALLADARES, 2005, p. 
26). Mais adiante a autora reproduz a fala de um delegado: 
Se bem que não haja famílias no local designado, é ali impossível ser feito o 
policiamento porquanto nesse local, foco de desertores, ladrões e praças do 
exército, não há ruas, os casebres são construídos de madeira e cobertos de zinco, e 
não existe em todo o morro um só bico de gás (VALLADARES, 2005, p. 26-27).
É nesse cenário que os negros, fugindo do passado de dominação, chegaram e ocuparam as 
periferias das grandes cidades e se tornaram invisíveis. Esconder-se em morros que pudessem dii cultar 
o acesso das autoridades era uma maneira de impor barreiras aos desmandos burgueses e,  ao mesmo 
tempo, de reorganizar suas vidas:
[…] contornando os resquícios do domínio escravista, os l agelos da fome e das 
secas, fugindo dos alistamentos e das conturbações políticas, buscando novos 
espaços sociais que permitissem minimizar não só as mazelas do desenraizamento, 
como também a condição de exclusão pretendida pelos projetos modernizantes 
das elites brasileiras (1989, p.60).IPOTESI, JUIZ DE FORA, v.15, n.2, p. 51-62, jul./dez. 2011 54
Como uma das muitas consequências de uma abolição sem planejamento, poucas opções de 
moradia restavam aos ex-escravos, que formalmente estavam livres, mas não conseguiram se livrar das 
condições sub-humanas às quais foram submetidos por tantos anos.
A invisibilidade historicamente forçada da qual a população negra desfruta, ainda hoje, 
pode ser lida como o resultado do processo de humilhação social, construída durante séculos. A 
instabilidade socioeconômica que se instalou no Brasil na virada do século XIX somada ao crescimento 
populacional – os negros recém-libertos foram tangidos para o mundo e chegaram aos “grandes” 
centros – desencadearam profundas reformas no cenário urbano, que de certa forma já “[…] concebia 
a disciplinarização da pobreza, segregada em espaços ‘marginais’ ”, como diz Haesbaert em Territórios 
Alternativos (2006, p.93). 
A invisibilidade social: breve panorama
Em 2006, o sociólogo Jessé Souza lançou o livro A invisibilidade da desigualdade brasileira, 
tendo como tema central a invisibilidade social em determinado grupo de indivíduos. Nesse livro 
Souza desenvolve, com alguns autores clássicos da sociologia nacional, tais como Sérgio Buarque de 
Holanda, Roberto DaMatta e Gilberto Freyre, uma discussão sobra a formação da identidade brasileira. 
Segundo Souza, esses autores, ao tentarem construir em suas obras uma identidade nacional do povo 
brasileiro, caem em uma “teoria emocional da ação” que é… “como se todos os indivíduos dessas 
sociedades ‘integradas emocionalmente’ fossem essencialmente semelhantes, sem qualquer divisão de 
classe, e apenas diferissem na renda que ganham” (SOUZA, 2006, p.14). Para Souza, é uma espécie 
de “melting pot” nacional que não separa grupos de indivíduos e suas histórias particulares. Ainda 
que exaltem as qualidades desse povo, os sociólogos não abordam as possíveis principais causas da 
desigualdade no país. Souza critica os esquemas explicativos utilizados pelos sociólogos, pois para 
ele, esses tendem a perder sua relação com qualquer realidade mais ampla a partir do momento 
que eles tentam explicar o comportamento do brasileiro pela colonização portuguesa, ignorando a 
interlocução com outras culturas periféricas. Ao discordar dos clássicos da sociologia, Souza apresenta 
possibilidades concretas para o desenvolvimento de teorias sociais críticas que possam explicar o 
Brasil e sua gente, pois “[p]ara compreender a desigualdade brasileira é necessário compreender o 
Brasil contemporâneo na sua extraordinária complexidade” (SOUZA, 2006, p.10).
Souza não acredita que apenas descrever a realidade das pessoas socialmente humilhadas possa 
dei nir o que é desigualdade e sua origem social. Para o autor é preciso articular a história de vida 
desses sujeitos invisíveis com a história do Brasil e com teorias sociais sólidas.
É importante ressaltar que ser ou tornar-se socialmente invisível é fenômeno que não está 
associado à etnia e sim à questão econômica. Vale lembrar o caso de Fernando Braga da Costa – 
homem, branco, jovem e de classe média alta – que em 1996, ainda estudante de psicologia, iniciou 
uma pesquisa a i m de comprovar a existência da invisibilidade pública por meio de uma mudança de 
personalidade ou comportamento. 
Por oito anos – tempo de duração da pesquisa – Costa alternava sua personalidade entre estudante 
de psicologia e gari dentro da mesma instituição em que estudava, a USP. O psicólogo relata que 
quando vestia o uniforme de gari não era reconhecido pelos professores nem pelos colegas do curso. 
Sua experiência foi transformada no livro Homens invisíveis: relatos de uma humilhação social (2004). 
Nele o autor deixa claro que a invisibilidade é um conceito aplicado a seres socialmente invisíveis e 
que atinge indiferentemente a homens, mulheres, negros e brancos desde que compartilhem a mesma 
faixa econômica – leia-se baixa renda –, todos se tornam assim invisíveis, seres sem nome.IPOTESI, JUIZ DE FORA, v.15, n.2, p. 51-62, jul./dez. 2011 55
Território, espaço e lugar
De forma direta, território é uma área geográi ca demarcada por um indivíduo ou um grupo 
de indivíduos que exercem “poderes” percebidos em várias instâncias: políticos, econômicos, sociais 
e culturais. Já o espaço pode-se pensar como um elemento naturalmente “dado”, mas seu sentido 
só surge depois que o território é trabalhado e transformado pelo homem. Nesse caso, podemos 
compreender que o espaço é onde se exercita e compreende a sensação do pertencimento. Nele estão 
presentes todas as simbologias da existência.
Para Rogério Haesbaert, espaço e território são componentes indissociáveis à condição 
humana: “não há como dei nir o indivíduo, o grupo, a comunidade, sem ao mesmo tempo inseri-los 
num determinado contexto geográi co, ‘territorial’ ” (HAESBAERT, 2007, p.20). No processo de 
territorialização os sujeitos vão além da necessidade da apropriação de um espaço, ali as alteridades 
desenvolvem laços de convívio. 
É importante salientar que Haesbaert analisa o território a partir de uma tríplice abordagem: 
jurídico-política, econômica e cultural. Assim, além do caráter do poder estatal, salienta o aspecto 
humano da identidade social presente na constituição do território.
Pensamos território como um “espaço” que se constrói, destrói e reconstrói, em uma dinâmica 
que relaciona as ações sócio-políticas e culturais, com ações humanas. Nesse sentido, articulamos 
destruição territorial e sua reconstrução ao processo de desterritorialização e reterritorialização. É 
válido esclarecer que a destruição não passa necessariamente pelo processo de desaparecimento ou i m 
da localidade, mas sim pelo processo de adquirir novos valores, novos sentidos.
Yi Fu Tuan em Espaço e Lugar (1983) trata de relacionar o conceito de lugar com a afetividade. 
Para Tuan lugar se diferencia de território no aspecto da valorização, pois são áreas descritas como 
concretas, transformadas pelo homem e seus interesses. Seguindo sua dei nição para o termo “lugar” e 
acrescentando a dei nição de território, por Haesbaert, concebemos que lugar é o espaço do dia-a-dia, 
experienciado no cotidiano, e território é o espaço de atuação dos poderes institucionalizados. Para 
ambos os geógrafos o espaço, quando é dominado pelo homem, torna-se lugar/território.
Zygmunt Bauman questiona em seu livro Modernidade Líquida (2001) se a modernidade não 
seria a grande responsável pela perda dos valores, pela desmitii cação dos ritos e, principalmente, pela 
liquefação das certezas. Segundo Bauman, é nesse processo moderno que os espaços urbanos surgem 
não como abrigo, mas como o próprio algoz do homem, são aqueles que oferecem perigo e solidão. 
Ao traçar a evolução da vida urbana, o autor se depara com as fronteiras visíveis e invisíveis que 
restringem o direito de ir e vir do cidadão urbano.  
Bauman também fala dos espaços. Mas o teórico vai um pouco além, fala de outros espaços, fala 
também dos vazios urbanos. Aqueles que não possuem signii cado, que estão situados às margens dos 
centros urbanos, são vividos e não percebidos, e são rejeitados. Para o autor, lugares sem signii cados 
quer dizer não considerados aos olhos de muitos. Um terreno baldio ou uma construção abandonada 
pode ter o mesmo valor de um bairro inteiro, pois conforme a epígrafe assinalada no início deste 
trabalho, o vazio depende de quem o vê.
Parece-nos oportuno citar um pequeno relato que Bauman faz sobre uma conferência na Europa. 
O autor nos conta que foi recebido no aeroporto pela i lha de um casal de amigos que demorou quase 
duas horas no trajeto do aeroporto até ao hotel onde ele i caria. A jovem se desculpou, mas enfatizou 
não ter como evitar o tráfego do centro da cidade. Quando Bauman retornou ao aeroporto, preferiu 
pegar um táxi, que demorou apenas dez minutos no trajeto inverso. Isso aconteceu porque o táxi 
tomou um outro trajeto, que passava pelo subúrbio da cidade: IPOTESI, JUIZ DE FORA, v.15, n.2, p. 51-62, jul./dez. 2011 56
[…] o motorista foi por i leiras de barracos pobres, decadentes e esquecidos, 
cheios de pessoas rudes e evidentemente desocupadas e crianças sujas vestindo 
farrapos. A ênfase de minha guia em que não havia como evitar o tráfego do 
centro da cidade não era mentira. Era sincera e adequada a seu mapa mental da 
cidade em que tinha nascido e onde sempre vivera. Esse mapa não registrava as 
ruas dos feios “distritos perigosos” pelas quais o táxi me levou. No mapa mental 
de minha guia, no lugar em que essas ruas deveriam ter sido projetadas havia, 
pura e simplesmente, um espaço vazio (BAUMAN, 2001, p. 121).
A visibilidade desses espaços ocorre quando esses são relacionados a aspectos negativos, tais 
como a violência ou a miséria. Daí pensarmos em favelas. Com a chegada dos Estudos Culturais e 
sua resguardada aceitação no meio acadêmico tornou-se possível estudar objetos “menores” como a 
periferia dos grandes centros urbanos. É necessário destacarmos nossa compreensão sobre o processo 
de favelização das cidades. 
Para nós, esse fenômeno não ocorre apenas devido à atração de pessoas vindas de meios rurais 
ou cidades menores. Esses espaços vão surgindo também no interior do próprio meio urbano. Classes 
dominantes detentoras das forças produtivas articuladas ao Estado produzem cidades planejadas, 
socioespacialmente desiguais e segregadoras, em que elites residem em áreas privilegiadas e centrais 
desfrutando dos serviços públicos, e as populações pobres são empurradas para áreas marginais e 
precárias sujeitas a viver de forma desumana.
No livro Moradia nas cidades brasileiras (1988), a geógrafa Arlete Moysés Rodrigues aponta 
que, a partir da década de 1940, um enorme l uxo de migrantes nordestinos chegou a São Paulo em 
busca de trabalho e de melhores condições de vida. Sem lugar para morar, ocuparam terrenos vazios, 
encostas de morros e áreas precárias. Rodrigues faz um levantamento da origem histórica da favela, 
mostrando que só a partir dos anos de 1950 começaram a ser vistas como um problema social
4
.
 Situando Carolina Maria de Jesus
O barraco é assim: de tábuas, coberto de lata, papelão e tábuas também. Tem 
dois cômodos, “não muito cômodos”. Um é sala-quarto-cozinha, nove metros 
quadrados, se muito fôr [sic], e um quartinho, bem  menor, com lugar para 
uma cama justinho, lá dentro… Tem muitas coisas dentro dele, que a luz da 
janelinha, deixa a gente ver: um barbante esticado, quase arrebentando de trapos 
pendurados, mesinha quadrada, tábua de pinho; fogareiro de lata, lata de água, 
lata de fazer café e lata de cozinhar; tem também guarda-comida, escuro de 
fumaça e cheio de livros velhos e mais duas camas, uma na sala-quarto-cozinha 
e outra no quarto assim chamado… Isto é o barraco dentro. O barraco fora é 
como todos os barracos de todas as favelas. Feio como dentro.
(Audálio Dantas na apresentação do livro Quarto de despejo, s/p).
A favela surge primeiro da necessidade do onde morar, e só posteriormente o como morar é 
que preocupa. Casa/barraco de lata, de folha de zinco ou papelão, isso se resolve depois. Na verdade, 
a imagem das favelas atuais tem variado bastante de uma cidade para outra; algumas já possuem 
saneamento básico, asfalto e até transporte urbano, contudo os pontos negativos que a caracterizam, 
tais como violência e miséria, mantêm seu  status quo. Para muitos, a favela é uma estratégia de 
sobrevivência: uma saída, uma iniciativa, que levanta barracos de um dia para outro, contra uma 
ordem desumana e segregadora, mas nem por isso um espaço de acomodação.IPOTESI, JUIZ DE FORA, v.15, n.2, p. 51-62, jul./dez. 2011 57
Por volta de 1948 Carolina chega a uma favela que nascia e se expandia nas margens do rio 
Tietê, no bairro do Canindé, na grande São Paulo. Lá chegando foi obrigada a tirar do lixo o seu 
sustento diário, como faziam centenas de favelados. 
Negra, pobre e com baixa escolaridade, Carolina foi alvo de muita discriminação, e recriminada 
devido ao seu espírito ousado e autônomo, deixou sua cidade natal ainda jovem; essa saída parece 
perpetuar velhas regras sociais vigentes desde o Brasil do i nal do século XIX, quando os negros se 
puseram a caminho de uma vida nova. A dispersão que, normalmente, é resultada por conl itos 
políticos ou religiosos, em sociedades pós-coloniais como a nossa, tem como principal fator a 
economia, ou seja, vagar por aí é um legado histórico. Carolina foi sendo empurrada para a periferia 
pelo desrespeito e pela pobreza: 
[...] Nós somos pobres, viemos para as margens do rio. As margens do rio são 
os lugares do lixo e dos marginais. Gente da favela é considerado marginais. 
Não mais se vê os corvos voando as margens do rio, perto dos lixos. Os homens 
desempregados substituíram os corvos (JESUS, 1963, p.45)
5
.
Em um determinado trecho, em que narra a morte de um conhecido, também catador de papel, 
que havia encontrado carne no lixo e comido, Carolina expõe sua percepção sobre sua condição: “[…] 
Revoltei contra o tal Serviço Social que diz ter sido criado para reajustar os desajustados, mas não 
toma conhecimento da existência infausta dos marginais”(JESUS, 1963, p.32). 
No livro O negro no mundo dos brancos (2007), Florestan Fernandes focaliza a integração dos negros 
na sociedade brasileira a partir de São Paulo. Para ele o estado paulistano guarda, em sua amplitude e 
diversidade econômica, aspectos do período escravocrata em se tratando da estrutura social. Fernandes 
dei ne como desajustado aquele sujeito cujas atitudes contrariam as regras de comportamento social 
impostas pela sociedade. O negro foi exposto a um mundo socialmente organizado para os segmentos 
privilegiados da raça dominante, mas não i cou inerte. Muitos se rebelaram. Carolina escrevia a i m 
de denunciar as mazelas pelas quais passavam ela, os i lhos e os outros moradores da favela. Ser um 
desajustado é inconformar-se com as regras e com o status quo social vigente. Desse ponto de vista os 
desajustados são revolucionários, impõem novos comportamentos, são os vistos como “diferentes”: 
“Vou escrever um livro referente a favela. Hei de citar tudo que aqui se passa. E tudo que vocês me 
fazem. Eu quero escrever o livro, e vocês com estas cenas desagradáveis me fornece os argumentos” 
(JESUS, 1963, p.14). Carolina assim se defendia dos ataques que sofria de seus vizinhos, indivíduos 
que viviam sob as mesmas condições que ela.
Carolina não se conformava com sua vida na favela e desenvolvia uma relação hostil com 
o lugar e com os vizinhos: “[…] As oito e meia da noite eu já estava na favela respirando o odor 
dos excrementos que mescla com o barro podre” (JESUS, 1963, p.29). A realidade de miséria, o 
comportamento degradante dos vizinhos, inclusive das crianças: “No início são educados, amáveis. 
Dias depois usam o calão, são soezes e repugnantes. São diamantes que se transformam em chumbo” 
(JESUS, 1963, p. 37). A falta de solidariedade e a “feiúra”, que contaminava a todos que moravam 
ali, a instigavam a protestar e a não reconhecer aquele lugar como seu: “[...]Cheguei à favela: eu não 
acho geito de dizer cheguei em casa” (JESUS,1963, p.39). 
Em seu olhar, ora irritado, ora pesaroso, quase sempre dúbio, teremos a representação do 
universo da favela. A Carolina que aparece ali está sempre dividida entre o desprezo que sente pela 
gente do lugar: “[…] as mulheres da favela são horríveis numa briga. O que podem resolver com 
palavras elas transformam em conl ito. Parecem corvos, numa disputa” (JESUS, 1963, p. 54); e a 
solidariedade superior da artista que se ai rma diante do seu outro: “[…] o poeta enfrenta a morte IPOTESI, JUIZ DE FORA, v.15, n.2, p. 51-62, jul./dez. 2011 58
quando vê seu povo oprimido” (JESUS, 1963, p.38). No entanto, talvez os momentos mais fortes de 
sua narrativa sejam exatamente aqueles em que ela precisa assumir fazer parte desse mundo obscuro, 
invisível: 
[…] Fui na Dona Juana, ela deu-me pães. Passei na fábrica para ver se tinha 
tomates. Havia muitas lenhas. Eu ia pegar uns pedaços quando vi um preto 
dizer para eu não mecher nas lenhas que êle ia bater-me. Eu disse para bater que 
eu não tenho medo. Êle estava pondo as lenhas dentro do caminhão. Olhou-me 
com desprezo e disse:
– Maloqueira!
– por eu ser de maloca é que você não deve mecher comigo. Eu estou habituada a 
tudo. A roubar, brigar e beber. Eu passo 15 dias em casa e quinze dias na prisão. 
Já fui sentenciada em Santos.
Êle fez menção de agredir-me e eu disse-lhe:
– eu sou da favela do Canindé. Sei cortar de gilete e navalha e estou aprendendo 
a manejar a peixeira. Um nortista está me dando aulas. Se vai me bater pode vir.
Comecei apalpar os bolsos. 
– Onde será que está minha navalha? Hoje o senhor i ca só com uma orelha. 
Quando  eu  bebo  umas  pingas  i  co  meio  louca.  Na  favela  é  assim,  tudo  que 
aparece por lá nós batemos e roubamos o dinheiro e tudo que tiver no bolso. 
O preto i cou quieto. Eu vim embora. Quando alguém nos insulta é só falar que 
é da favela e pronto. Nos deixa em paz. Percebi que nós da favela somos temido. 
Eu desai ei o preto porque eu sabia que êle não ia vir. Eu não gosto de briga 
(JESUS, 1963, p.70).
É na esteira da discussão sobre território, desterritorialização e reterritorialização que situamos 
Carolina Maria de Jesus e a favela. Temos que o fato de ocuparmos uma determinada área já nos 
identii ca socialmente. Porém a relação território-identidade é muitas vezes conl ituosa. Ocupar 
uma área não signii ca transformá-la em um território íntimo, reconhecido como um espaço vivido, 
mas ocorre também expressivo repúdio pelo mesmo. A favela do Canindé representava essa área, 
despertava um sentimento paradoxal. Muitos moradores de lá se sujeitavam às condições impostas. 
Já Carolina rejeitava qualquer ligação emotiva, qualquer traço que a identii casse com a favela, nos 
sonhos encontrava a válvula de escape: 
Passei uma noite horrível. Sonhei que eu residia numa casa residível, tinha 
banheiro, cozinha, copa e até quarto de criada. Eu ia festejar o aniversário de 
minha i lha Vera Euníce. Eu ia comprar-lhe umas panelinhas que há muito ela 
vive pedindo. Porque eu estava em condições de comprar. Sentei na mesa para 
comer. A toalha era alva ao lírio. Eu comia bife, pão com manteiga, batata frita 
e salada. Quando fui pegar outro bife despertei. Que realidade amarga! Eu não 
residia na cidade. Estava na favela. Na lama, as margens do Tietê […] (JESUS, 
1963, p.31).
Considerando que território é um espaço que adquire signii cado na medida em que ações 
humanas – em uma relação dinâmica com ações sócio-político-culturais – promovem transformações, 
nesse cenário, o tempo assume um valor estratégico diante dessas transformações. A construção de 
uma identidade territorial se forma e ai rma na medida em que se experiencia o espaço habitado e se 
desenvolve um elo emocional; desse modo, a percepção de tempo afeta a sensação de lugar.IPOTESI, JUIZ DE FORA, v.15, n.2, p. 51-62, jul./dez. 2011 59
A rejeição de Carolina pela favela é resultado das transformações de seu cotidiano, que está 
sempre se materializando em “algo novo”, novos sentidos. Yi Fu Tuan, ao falar sobre a experiência, 
em uma de suas dei nições diz: 
Experienciar é vencer os perigos. A palavra ‘experiência’ provém da mesma raiz 
latina (per) de ‘experimento’, ‘experto’ e ‘perigoso’. Para experienciar no sentido 
ativo, é necessário aventurar-se no desconhecido e experimentar o ilusório e o 
incerto. Para se tornar um experto, cumpre arriscar-se a enfrentar os perigos do 
novo (TUAN, 1983, p.10).
Ao experienciar o novo em seu cotidiano, Carolina promove o que Haesbaert denomina de 
“desterritorialização” – seria a destruição ou transformação de território. Lembrando que essa destruição 
territorial não passa, necessariamente, pelo processo de desaparecimento ou i m da localidade, mas de 
ressignii cação. Portanto, esse “algo novo materializado” é o que percebemos como reterritorialização 
ou uma nova projeção do território.
A favela vista e sentida na mobilidade diária de Carolina era o espaço em movimento onde a 
escritora forjava suas conquistas e lutava pelos direitos à visibilidade. Com Carolina, observa-se que 
o fenômeno da desterritorialização alcança uma amplitude que supera o sentido de destruição. Aqui 
desterritorializar não se limita a desarticular os poderes socialmente instituídos, ela atinge também 
referências fundamentais na constituição do indivíduo. A formação de uma identidade coletiva i ca 
então comprometida, na medida em que Carolina rompia com estereótipos (de favelada padrão) e se 
impunha por seu mérito pessoal (ato de escrever). Desse modo, a escritora experimenta a solidão que 
os diferentes ou deslocados sentem em territórios estranhos. É em seu barraco e com sua escrita que 
Carolina busca a reterritorialização, seu espaço íntimo, resguardada da hostilidade exterior: 
Quando vejo meus i lhos comendo arroz e feijão, o alimento que não está ao 
alcance do favelado, i co sorrindo atôa. Como se eu estivesse assistindo um 
espetáculo deslumbrante. Lavei as roupas e o barracão. Agora vou ler e escrever. 
Vejo os jovens jogando bola. E êles correm pelo campo demonstrando energia. 
Penso: se êles tomassem leite puro e comessem carne […] (JESUS, 1963, p.40).
A autora percebe o fosso que separa os mundos – a favela em que vivia e o mundo de alvenaria 
que tanto desejava: “[…] os visinhos de alvenaria olha os favelados com repugnancia. Percebo seus 
olhares de ódio porque êles não quer a favela aqui. Que a favela deturpou o bairro. Que tem nojo da 
pobrêsa. Esquecem êles que na morte todos i cam pobre” (JESUS, 1963, p.47). Sentia o desprezo dos 
companheiros de infortúnios da favela: 
– Se eu pudesse mudar desta favela! Tenho a impressão que estou no inferno.
[…] Sentei ao sol para escrever. A i lha da Silvia, uma menina de seis anos, 
passava e dizia:
– Está escrevendo, negra i dida!
A mãe ouvia e não repreendia. São as mães que instigam (JESUS, 1963, p.20).
Da mesma maneira sentia por não ser vista ou ser desrespeitada fora da favela:
[…] Saí e fui no empório. Comprei arroz, café e sabão. Depois fui no Açougue 
Bom Jardim comprar carne. Cheguei no açougue, a caixa olhou-me com um 
olhar descontente.IPOTESI, JUIZ DE FORA, v.15, n.2, p. 51-62, jul./dez. 2011 60
– Tem banha?
– Não tem.
– Tem carne?
– Não tem.
Entrou um japonês e perguntou:
– Tem banha?
Ela esperou eu sair para dizer-lhe:
– Tem.
Voltei para a favela furiosa. Então o dinheiro do favelado não tem valor? Pensei: 
hoje eu vou escrever e vou chingar a caixa desgraçada do Açougue Bom Jardim.
Ordinaria! (JESUS, 1963, p.127-128).
Conclusão
É notório que estudos sobre a periferia brasileira vêm atraindo mais e mais pesquisadores e 
ganhando forças dentro da academia. Debater sobre a realidade da população de baixa renda é desvelar 
intervenções públicas inei cazes. As soluções são paliativas porque as favelas só incomodam quando 
são vistas, e só são vistas quando incomodam.
As favelas se multiplicam, mudam suas coni gurações, mas continuam degradando o sujeito. 
Na cidade, o “eu” e o “outro” se fundem e se perdem nos subúrbios e na exclusão. 
Quarto de Despejo é mais do que o retrato de uma favela. É a denúncia das condições de 
vida de uma comunidade marginalizada, para alguém que dispunha de poderosa arma e que soube 
utilizá-la, como nenhum outro: a palavra. E dessa arma Carolina Maria de Jesus fez o uso devido. 
Relatou, descreveu, mostrou o sofrimento, as agruras da fome, preocupada não com o apuro formal da 
linguagem, mas com o conteúdo da sua mensagem. O sonho de escrever um livro com os argumentos 
que os favelados lhe forneciam realizou-se.
Em suma, a miséria que faz Carolina visível pode, ao mesmo tempo, torná-la invisível aos olhos 
do outro. Para Carolina a favela não é parte integrante da cidade. A favela é uma úlcera aberta no 
cenário urbano.
Favela, space and subject: A conl icting relationship
ABSTRACT:
h is paper aims to clarify the conl icting relationship that exists between the 
subject / area, center / periphery using as a reference the book Quarto de Despejo: 
diário de uma favelada (1963), Carolina Maria de Jesus. To think of the slums 
as a “socially empty space”, according to Zygmunt Bauman, it is necessary 
ro turn to the rel ections presentes in Liquid Modernity (2001), as well as the 
considerations on social invisibility of the sociologist Jessé de Souza, and the 
thought on territory, place and space developed by Rodério Haesbaert.
Keywords: Slum. Center. Conl ict. Invisibility. Carolina Maria de Jesus.
Notas explicativas
Professora do Programa de Pós-Graduação em Estudos Liretários da Faculdade de Letras da UFJF.
**
 Doutoranda em Letras/Estudos Literários pela Universidade Federal de Juiz de Fora, UFJF. Apoio i nanceiro 
CAPES.IPOTESI, JUIZ DE FORA, v.15, n.2, p. 51-62, jul./dez. 2011 61
A guerra do Paraguai foi um conl ito em que o Brasil, Uruguai e Argentina (formando a Tríplice Aliança) lutaram 
contra o Paraguai. Foi uma disputa por territórios estratégicos comercialmente. O Paraguai era a maior potência 
econômica e industrial da América Latina na época. E isso incomodava muito os ingleses que queriam expandir 
seus interesses comerciais sobre a América Latina. O Paraguai era um poderoso concorrente comercial dos ingleses. 
Então era de interesse da Inglaterra que houvesse o conl ito para que o Paraguai fosse aniquilado e enfraquecido. E 
assim aconteceu. A Inglaterra estimulou os atritos entre esses países latino-americanos para estourar o conl ito. Além 
disso, forneceu armas e auxílio i nanceiro para que Brasil, Uruguai e Argentina pudessem lutar e destruir o Paraguai. 
Terminada a guerra, o Paraguai estava destruído, arrasado. E a verdadeira vencedora da guerra foi a Inglaterra, que 
nem lutou, mas desenvolveu sua hegemonia no continente enfraquecendo seu rival Paraguai de forma irreversível.
O livro Os Sertões é dividido em três partes: A Terra, O Homem e A Luta. A Terra é uma descrição cientíi ca detalhada 
feita por Euclides da Cunha, mostrando todas as características do lugar, o clima, as secas, a terra, tudo eni m. A 
parte intitulada O Homem é descrita por um viés antropológico e sociológico. Aqui Cunha mostra os habitantes do 
lugar, sua relação com o meio, seu comportamento, crenças e costumes; mas i xa na i gura de Antônio Conselheiro, o 
líder de Canudos. Já em A Luta Euclides da Cunha, além de relatar as expedições enviadas a Canudos, relata também 
cenas as quais presenciou: a fome, a peste, a miséria, a violência e a insanidade da guerra. Retratou assim o absurdo 
de um massacre que começou por um motivo tolo – Antônio Conselheiro reclamando de um estoque de madeiras 
não entregue – isso gerou um conl ito sem precedentes tornando-se uma paranoia nacional, pois suspeitava-se que os 
“monarquistas” de Canudos, liderados por Bom Jesus Conselheiro, tinham apoio externo. No i nal, foi apenas um 
massacre violento, onde o lado mais fraco resistiu até o i m com seus derradeiros defensores – um velho, dois adultos 
e uma criança.
Etimologicamente, favela é um termo latino que signii ca pequena fava. Historicamente, é o nome de uma pequena 
colina de uma região da Bahia, de onde provieram os migrantes que se instalaram, pela primeira vez, no Rio de 
Janeiro, e ocuparam, na ocasião, uma pequena elevação, que, pela semelhança com a colina baiana, chamaram de 
favela. Daí o nome se estender a todas as aglomerações de barracos construídas de forma irregular.
Há vários trabalhos acadêmicos que abordam a formação das favelas. Entre eles o de Suzana Pasternak intitulado 
“Espaço e população nas Favelas de São Paulo”. Pasternak faz um levantamento sobre a população das favelas, 
quantos são e como vivem. Interessa-nos os números colhidos por ela. Em São Paulo julga-se que as primeiras favelas 
apareceram na década de 1940, onde pesquisas feitas pela Divisão de Estatística e Documentação da prefeitura 
de São Paulo enumeram informações sobre as favelas e favelados na Mooca (favela da Oratória), Lapa (na rua 
Guaicurus), Ibirapuera, Barra funda (favela Ordem e Progresso) e Vila Prudente (na zona leste, existente até hoje). 
“Em 1957 apurava-se na capital de São Paulo um total de 141 núcleos, com 8.488 barracos e cerca de 50 mil favelas” 
(FINEP/GAP, 1985, p. 66). In: PASTERNAK, Suzana. Espaço e População nas favelas de São Paulo. In: XIII 
Encontro Nacional de Estudos Populacionais, 2002, Ouro Preto, de 04 a 08 de nov. 2002.
Todas as citações referentes ao livro Quarto de despejo respeitam a escrita da autora Carolina Maria de Jesus. 
Referências
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Recebido em: 31 de maio de 2011
Aprovado em: 23 de agosto de 2011